quinta-feira, maio 19, 2005

E-Latim: A actividade musical em Roma

O desenvolvimento cultural na Roma antiga foi fortemente influenciado pela cultura grega, e com a música não foi diferente.
Roma foi fundada em 753 a.C. e os romanos da Idade Antiga admiravam a música: do Egipto importaram as canções e os instrumentos musicais; da Síria, as flautas, e incorporaram ainda as danças árabes, as gatidanas que mais tarde levaram para a Espanha. Dedicados à política e às guerras, os romanos não tinham tempo para a música, da qual gostavam muito mas era ofício de escravos gregos. Na verdade, Roma custou muito a ter uma arte própria, porque todos os seus artistas eram estrangeiros. Mas Roma ia buscar o que queria onde quisesse. Todos os instrumentos musicais da Antiguidade foram usados pelos romanos. Ou pelos seus escravos...

O instrumento mais popular da Roma Antiga foi a flauta de dois tubos, a fístula. A corporação de flautistas de fístula ficou famosa: o Colegium Tibicinum Romanorum era chamado para espantar os maus espíritos e atrair os deuses durante os sacrifícios litúrgicos. O som triste da fístula era também muito apropriado para acompanhar funerais . Os órgãos, tanto o hidráulico como o pneumático, foram muito usados em Roma e nos seus domínios. As várias cítaras também eram populares e os citaristas tinham até um traje típico. A palavra Cithara, em latim designava o génio da música e da poesia. A lira era chamada testudo, porque era feita da carapaça desse animal, a tartaruga. Ao oboé, instrumento de palheta dupla oriundo da Síria , deram o nome de tíbia. As trombetas eram consideradas sagradas e só podiam ser usadas nas cerimónias dos templos ou nas guerras. Eram chamadas tibulustrium e deviam ser purificadas duas vezes ao ano.
Em 336 a.C. surgiu em Roma a pantomima etyrusca: era a sucessora do teatro grego e tinha música. O primeiro teatro romano era satírico, muito popular e os versos eram cantados. Em 200 a.C. já havia distinção entre compositor e letrista. Na Tragédia eliminou-se o coro grego, que apenas cantava e dançava nos entreactos, com acompanhamento de fístula.

Entretanto Cipião, o Africano (cerca de 184 a.C.) achava intolerável que os jovens romanos perdessem tempo frequentando eventos "com dançarinas, sambucas a saltérios" e Catão, por volta de 150 a.C, afirmava que” todo homem sério devia abster-se de cantar”. Cícero falava constantemente contra a música, tanto vocal como instrumental e afirmava que “a doçura da música havia feito dos gregos homens fracos e depravados”. O filósofo Epicuro afirmava que a música "atende ao vinho, incita à perenidade e excita a libertinagem".

Em 140 a.C. Marco Terencio começou a divulgar as teorias musicais gregas em Roma e fez com que os romanos estudassem música. Até as aulas e os discursos no Senado tinham acompanhamento musical e geralmente um flautista indicava, com as notas musicais, o tom de determinadas partes da oratória. De imediato foram formadas companhias com músicos e actores que mediante uma licença especial do Imperador viajavam por todas as províncias do Império, originando a construção de teatros em Mérida, Sagunto, Nimes, Arles, Magúncia, Colônia e Cartago. O primeiro teatro de pedra com regras de acústica foi construído em Pompéia, 55 a.C. com capacidade para 40 mil pessoas. A figura mais importante do teatro era o phonascus, o professor de canto, uma figura de destaque na sociedade romana que exigia aos cantores exercícios físicos severos e dietas rigorosas.

Em 22 a.C. Pílades levou a Pantomima coreografada e cantada para Roma, com acompanhamento de flauta, cítara, lira, tíbia e percussão.
Por volta do ano 100 d.C. os romanos eram definitivamente, um povo musical e surgiram as atellanes, cantigas populares de escárnio e mal dizer, quase sempre improvisadas e falando mal dos poderosos. Caius Cilnius Maecenas, conselheiro de Otávio, aproximava os músicos e cantores do poder e conseguia-lhes financiamento. Passou a ter o título de Protector das Artes, dos Artistas e dos Sábios e seu nome (Mecenas) passou a ter esse significado.

Nero, por exemplo, favorecia as artes da música, canto e dança e dava festas excepcionais. Estudou música com Terpo, o melhor músico da época. Como anónimo ganhou concursos competindo com os melhores músicos em Nápoles, Atenas, Lacedemônia e Corinto. Ficou verdadeiramente famoso como cantor de músicas gregas e tocador de lira, cítara e harpa. No Teatro de Pompéia competiu com o rei arménio Tirídates que, vencido, depositou o seu ceptro e coroa aos pés de Nero. Dizem que o Imperador foi o inventor da claque. A partir dele todos os reis e imperadores foram músicos, cantores, e alguns até dançarinos.

O único instrumento inventado na Roma antiga foi a cornamusa, uma gaita rústica que veio a ser o hornpipe na Escócia e a musette na França.

(Fontes: www.tvebrasil.com.br/agrandemusica ; www.historianet.com.br )