terça-feira, maio 17, 2005

e-latim: A Morte e os Funerais dos Romanos


Columbarium

Durante o século I e II d.c., a cremação era a prática funerária mais comum no Império Romano. Mas a inumação (lat. inhumo, as, are, avi, atum = meter dentro da terra, enterrar) substituiria a cremação; uma grande variedade de factores, incluindo o crescimento do Cristianismo entre os Romanos bem como mudanças de atitude em relação à vida depois da morte, contribuiriam para esta mudança nas práticas funerárias mais comuns até então.
Os Romanos mantinham um "ritual" sistemático ao cuidar dos seus mortos. Primeiro, os familiares fechavam os olhos do falecido enquanto chamavam o seu nome. De seguida, o corpo era lavado e uma moeda era colocada na boca do falecido. A moeda era um pagamento para Caronte, o barqueiro que transportava as almas dos mortos até as portas do mundo subterrâneo.
O estatuto social era um factor importante no Funeral Romano. Os mortos eram postos em "exposição": o tempo desta "exposição" dependia da posição que o falecido tinha na sociedade. Os membros da classe alta, como a nobreza, eram habitualmente postos em "exposição" até uma semana, dando a oportunidade a que muitos pudessem vir lamentar e prestar os seus últimos respeitos. Os membros da classe baixa da sociedade, por outro lado, eram habitualmente cremados depois de um só dia de "exposição".
Depois da "exposição" seguia-se uma procissão funerária. Os Funerais Romanos eram tipicamente feitos de noite para evitar grandes aglomerações de pessoas e para desencorajar multidões e lamentos excessivos que, no caso de figuras políticas influentes, poderia levar a uma séria confusão. Músicos contratados lideravam a procissão, seguidos pelos familiares e amigos que habitualmente levavam esculpturas ou máscaras de cera (imagines) de outros membros da família já falecidos. A procissão acabava no fim da cidade onde se situavam os cemitérios (necropoleis) onde uma pira, ou fogueira para a cremação, era construída. Enquanto o fogo ardia, uma elegia (laudatio funebris) era dada em honra do falecido. Depois do fogo se extinguir, um membro da família (habitualmente a mãe ou mulher do falecido) reunia as cinzas e colocava-as numa urna. O lugar onde o falecido era enterrado era marcado com lápides que continham inscrições ou por marcadores de madeira. Ainda hoje existem muitas dessas lápides.
Muitos Romanos pertenciam a sociedades funerárias, chamadas Collegia para se assegurarem de terem um enterro digno. Pagavam quotas mensais que seriam usadas para cobrir os custos do seu funeral e dos de outros membros. Os membros dos Collegia tinham garantia de um lugar num columbarium. Columbaria eram grandes camaras subterrâneas onde as urnas, com os restos da cremação, eram colocadas em pequenas cavidades (nidus) que eram usualmente marcadas com placas memoriais e esculpturas do falecido.
Os Romanos acreditavam que um enterro digno era essencial para "uma boa" passagem para a vida depois da morte e por isso havia muita preocupação nesta questão.

1 Comments:

Blogger lo said...

Gostei das informações. Porém vocês omitiram uma categoria social romana muito importante nos funerais que eram as CARPIDEIRAS. Mulheres pagas para chorarem durante os funerais.
Itapuan de Vasconcelos Sobral(id-sobral@bol.com.br)

7:39 da tarde  

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