segunda-feira, maio 16, 2005

SAGRES, PROMUNTURIUM SACRUM

Actualmente conhecidos como os Cabos de S.Vicente e de Sagres, o “Promontório Sagrado” foi durante muito tempo considerado o fim do mundo conhecido, o lugar terrível frente ao qual o Sol quotidianamente mergulhava e morria nos insondáveis abismos oceânicos.

Em 1905 Leite de Vasconcellos escrevia no seu “Religiões da Lusitânia”:
«Ao descrever o Promontório Sagrado diz Estrabão (séc. I a.C./Id.C.) “que não se vê lá nenhum santuário, nem altar, mas que em muitos sítios há grupos de três e quatro pedras que são pelos visitantes voltadas em virtude de um costume tradicional e deslocadas depois deles fazerem libações”. E mais diz o mesmo Estrabão, que ali “ não é permitido sacrificar nem ir de noite àquele lugar, porque se assevera que os deuses lá estão; mas que os que vêm para o ver pernoitam em uma aldeia vizinha, e entram nele depois, durante o dia, levando consigo água, por causa da falta desta”».
A imolação de animais como touros e javalis parecia ser frequente mas porém proibida no promontório que era utilizado como um santuário de preponderante feição marítima e intrinsecamente ligado aos navegantes.

A leitura de fontes clássicas permite supor que o promontório foi remotamente consagrado a Baal-Hammon e Melkart, na época romana reinterpretados como Saturno e Hércules respectivamente.

(José Cardim Ribeiro in “Religiões da Lusitânia” editado pelo Museu Nacional de Arqueologia)