segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Exposição "Aqua Romana"

Centauro marinho - mosaico do Museu de Arqueologia de Barcelona

Esta semana, a revista Actual, do Expresso, dá conta da exposição sobre a utilização da água no tempo dos romanos, que será inaugurada amanhã no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, onde ficará até à última semana de Maio.
Duas dezenas de museus europeus - Portugal, Espanha, Croácia e Itália - reúnem pela primeira vez uma exposição sobre o uso da água na civilização romana. «Aqua Romana» é uma importante reflexão sobre as tecnologias aplicadas à captação, distribuição e consumo da água, que reúne uma centena de peças originais, além da mostra de maquetas de equipamentos e mecanismos hidráulicos, complementados com vídeos e animações exemplificativas do seu funcionamento. (...) Além do módulo dedicado às técnicas de arquitectura e engenharia hidráulica, também serão reveladas componentes menos conhecidas: a da legislação e a utilização industrial da água. E enquanto peças singulares dão a conhecer valiosos recipientes domésticos, é ainda sugerida a ligação da água com as divindades... (...) Da participação portuguesa destacam-se as maquetas das barragens da antiga Olisipo (actual Lisboa) - com uma altura de 8 metros, assinalada como a mais alta no seu género no mundo romano - e a de Pisões (Alentejo), destinada ao abastecimento de uma «villa», quinta agrícola, e da qual foi reconhecida uma descarga de fundo, com abóbada de tijoleira.

Importância da etimologia

Nuno Crato escreve esta semana na Única (Expresso) um artigo, Cálculos e Hipérboles, onde demonstra a importância da etimologia para perceber a utilização das mesmas palavras em realidades (aparentemente) distintas. Transcrevo aqui apenas a 1ª parte do artigo:

A partir de certa idade, um problema de saúde muito comum é a acumulação de resíduos sólidos nos rins. São os chamados cálculos, pequenas pedras que podem atingir alguns centímetros e tornar-se problemáticas. O nome é curioso. Terá alguma coisa a ver com o cálculo aritmético?
A etimologia das palavras é comum. Provêm ambas do grego
khalix, por via do latim calculus, que significava exactamente pedra. Só que pedra em latim era também peça de cálculo. Contava-se com pedrinhas - com «cálculos» - e dizia-se pois que se calculava. Daí deriva o uso da palavra «cálculo» para designar contagem ou computação.
Curiosamente, esta última palavra deriva também do latim. A forma erudita para contar era
computare - a palavra calculare chegou-nos por via plebeia. No século XX, a forma erudita generalizou-se por influência directa da expressão inglesa para computador. Fenómeno semelhante se registou com muitas outras palavras: o português, o francês e outras línguas de origem latina apropriaram termos do latim vulgar, enquanto o inglês apropriou depois termos equivalentes de formas eruditas.
A história da terminologia matemática está repleta de étimos que se bifurcaram em termos aparentemente não relacionados. Há o anel algébrico e há o anel que se coloca nos dedos. Há a aplicação injectiva, que é um nome dado a uma função matemática biunívoca, e há a injecção de um medicamento. Há o integral de uma função e há o pão integral.

Cícero

É deste homem que se tem falado aqui no locus latinus...
Cícero

Cícero e as suas Obras

Cícero foi um pensador romano de grande destaque não só pela influência que exerceu entre os Romanos e a cultura romana mas também pelas obras que escreveu.

De todas suas obras, de carácter filosófico, merecem destaque:
-De Officiis (Dos Ofícios): é um livro dedicado ao seu filho Marco. Cícero quando escreve este tem a consciencia de ter atingido o ideal e isso faz com que ele compare os seus discursos com os seus escritos filosóficos;

- De Senectute: é uma obra que consiste num dialogo sobre a Velhice. Esta foi escrita nos últimos anos da sua vida.Tendo abandonado a vida pública, Cícero procurava a exposição das principais teorias filosóficas dos gregos, como consolação contra as decepções e angústias de política;

- De Diuinatione (Da Adivinhação): que é uma obra composta para complementar uma outra obra que se intitula De Natura Deorum;

- De Natura Deorum (Da Natureza dos Deuses): livro escrito em 45 a.C., após a morte do filho de Cícero. É neste livro que o poeta pensador expõe as doutrinas filosóficas da época;

- Tusculanae Disputationes (Tusculanas): é um livro em que Cícero faz uma reflexão sobre o sofrimento e a imortalidade da alma. É nesta obra que o escritor vai inserir os princípios do Estoicismo.

- De Amicitia (Da Amizade): é, como o próprio nome indica, um livro em que Cícero fala da amizade e até chega a compará-la com outros "valores", que é o que se pode verificar no capítulo VI da obra;

- De Republica (Da República): é uma obra em que o escritor versa sobre a ciência política e as formas do Governo;

- De Oratore (Da Oratória): que é uma obra que consiste num diálogo imaginário de oradores que pertenceram à época de Cícero.

Bibliografia:
- Pereira, Maria Helena Da Rocha, Estudos da História da cultura Clássica, Gulbenkian, Lisboa, 2002.
- Alves, Apolinário Américo A., Euntes Romam III,Lua Viajante, [s.l.], [s.d.].

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Cicero Triumphans

Marcus Tulius Cicero nasceu a 3 a Janeiro de 106 a.C. numa pequena cidade, no sul de Roma, chamada Arpino.
Procedente da baixa nobreza rural, viu a sua vida condicionada por três factores. O primeiro diz respeito precisamente à sua condição social, visto não poder promover a sua carreira nem mediante a riqueza nem mediante a sua classe social, a não ser unicamente pelo contínuo e intenso emprego dos seus talentos e capacidades. O segundo factor, tem a ver com o seu conhecimento linguístico, que o elevou à categoria de talento do século. O terceiro factor, finalmente, determinou a direcção dos seus esforços: Cícero foi um fervoroso patriota, que intercedeu pelos valores tradicionais da romanidade, e tentou, com o marco da ordem republicana herdado, servir pelo bem comum e distinguir-se de todos os outros.
Cícero foi advogado, cônsul e autor filosófico e retórico. Falou sobre os valores morais, e escreveu um "hino" à amizade: "De Amicitia".

Historia de la Literatura Latina, Carmen Codoñer (ED), Cátedra

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Marcus Tulius Cicero

(Arpino, 106 a. C. - Formies, 43 a. C.).

«Orador, escritor e político romano. Vive num período especialmente turbulento da história de Roma. Recebe uma esmerada educação, passa temporadas em Atenas e Rodes e ocupa importantes cargos políticos. Após o assassinato de César enfrenta Marco António, pelo que é degolado quando tenta fugir para o Oriente.
Cícero é, com Demóstenes, o melhor expoente da oratória clássica. Pela sua voz, postura, génio, paixão e capacidade de improvisação está maravilhosamente dotado para o exercício da eloquência. A isto acrescenta-se um estilo vigoroso e patético, brilhante, exacto, ágil e com ampla variedade de tons. São famosos os seus discursos contra Verres, em prol da Lei Manilia, contra Catilina, em favor de Milão e de Marcelo e contra Marco António.
É autor de diversos tratados filosóficos sobre o Estado, o bem, o conhecimento, a velhice, o dever, a amizade, etc., que transmitem e divulgam a tradição do pensamento grego. As suas próprias ideias sobre a arte da oratória, assim como uma história desta, expressam-se em tratados escritos de forma dialogada, como De Oratore, Brutus, Orator, etc. Até nós chega quase um milhar de cartas de Cícero sobre temas variados que constituem um valioso conjunto documental. Cícero desenvolve a prosa latina até a levar à sua perfeição, do mesmo modo que Virgílio e Horácio o fazem com a poesia.»

http://www.vidaslusofonas.pt/marco_tulio_cicero.htm

(Visitem também este site)
http://www.citador.pt/citador.php?cit=1&op=7&author=104&firstrec=0

Cícero - O Estudioso

Cícero, o homem que estava destinado a personificar a sua época, cultivou todas as disciplinas que podia formar um orador perfeito, segundo o ideal que ele próprio propugnou, depois, na idade madura, no De oratore: estudou jurisprudência com os dois Cévolas, o áugure e o pontífice, filososia com o estóico Diódoto e o académico Fílon de Larissa, eloquência com Apolónio Mólon, de Rodes. Cultivou também a poesia, conheceu Ácio, e manteve-se particularmente em contacto com as tendências que haviam desabrochado do círculo de Lutácio Cátulo.

História da Literatura Latina, Parattore

Alma

"Esforça-te, sim, e pensa que não és tu que és mortal, mas este corpo; nem tão pouco és aquele que esses contornos definem, mas a alma de cada um é ele mesmo, e não é figura, que se pode apontar com o dedo. Fica sabendo, portanto, que és um ser divino, se na verdade é um ser divino aquilo que é dotado de vigor, de sensações, de memória, de prudência, que rege e modera e move aquele corpo em quem manda, tal como o deus máximo faz ao mundo, e tal como esse deus eterno move um mundo que em parte é mortal, assim a alma imortal move um corpo que é frágil."
Cícero, De republica, VI.24

"Cedant arma togae"

Que as armas cedam às togas

Cícero nasceu em Arpino a 13 de Janeiro de 106 A.C. e foi morto em Fórmios em 43 A.C. a 4 de Dezembro. Foi um conservador liberal. Foi sempre mais advogado que orador. Durante a ditadura de César dedica-se à retórica e à filosofia. Como filósofo é pouco original. Limitou-se a resumir e a conciliar os sistemas gregos, preocupando-se mais como Romano com a moral social e prática. 1

Orador, escritor e político romano. Os seus discursos bem como as obras de cariz filosófico e retórico são modelos de prosa latina e as suas cartas fornecem uma imagem da vida em Roma da época. Os seus elegantes e aprimorados discursos, durante muito tempo tomados como modelos de retórica política expressavam um sentimento de nostalgia pela Roma Republicana. 2

Bibliografia:

1- Diciopédia 2004. Porto Editora Multimédia

2- Enciclopédia Universal Multimédia. Texo Editora

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Cícero, o eloquente

A sua eloquência e o seu desempenhamento enquanto magistrado
civil, deveu-lhe os mais importantes postos do governo, tendo sido considerado o primeiro romano a conseguir-lo. Além de ser eloquente também era corajoso visto que, um dos primeiros casos de Cícero foi defender um liberto que tinha sido acusado de parricida por um favorito de Sila que nessa época era ditador de Roma. Como medida de precaução resolveu sair do país durante dois anos, servindo se como pretexto da cura de uma doença.

Marcus Tullius Cicero (Arpino 106 aC - Formia 43 aC)

Oriundo de uma família de recente cidadania romana que, por isso, nunca tinha participado na vida pública, Cícero acabou por ser uma das figuras mais relevantes de Roma. A sua actividade estendeu-se por dominios como a filosofia, a literatura (em diferentes géneros), a oratória, a política (que incluiu o governo de províncias romanas, a vida militar, o direito, as viagens, nomeadamente à Grécia, etc.. Apesar do enorme ocntributo que deu para o avanço e consolidação da cultura latina, teve um fim indigno do vulto proeminente que foi (cortaram-lhe a cabeça e as mãos).

www.arqnet.pt / Enciclopédia Britânica

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Cícero - o grão-de-bico

Cícero nasceu em Arpino no ano de 106 a.C. Ele descende de uma família humilde mas de boa reputação.

O seu nome tem uma origem pitoresca: em latim cicer, eris (n) significa grão-de-bico. Este nome foi dado a um dos seus antepassados devido ao seu nariz ter uma saliência que se assemelhava a um grão.
Ao tornar-se um homem público respeitável, os seus amigos aconselharam-lhe que mudasse de nome pois seria constantemente gozado. Cícero respondeu-lhes deste modo:” Farei tudo para tornar o nome de Cícero mais célebre que o de Escauro e de Catulo”. Na verdade, estes nomes em latim também dão lugar a algum gozo: catulus, i- cachorrinho e scaurus, a , um- que tem os calcanhares demasiado salientes; pé-torto.

De facto, Cícero conseguiu tornar o seu nome bastante célebre tornando-se num famoso escritor, político e orador latino.

Quando se tornou magistrado em Sicília, Cícero mandou gravar num vaso de prata que iria oferecer aos deuses, com os seus dois primeiros nomes, Marcus Tullius, e no lugar do terceiro mandou gravar a imagem de um grão-de-bico.

Cícero escreveu várias obras retóricas: Orator, Brutus; filosóficas: De Republica, De Legibus, De Officilis, De Amicitia, etc. Deixou também um vasto Epistolário.

Cícero foi assassinado por Herênio e Popílio em 43 a. C. Contudo, diz-se que ele morreu de cabeça erguida pronunciando as seguintes palavras: Moriar in patria saepe servata (“Que eu morra na pátria que tantas vezes salvei”)


Bibliografia

http://virtualbooks.terra.com.br/freebook/colecaoridendo/biografias/Cicero.htm

C. Drummond de Andrade... em latim

Media in via
Media in via
Media in via erat lapis
erat lapis media in via
erat lapis
media in via erat lapis.

Non ero unquam immemor illius eventus
pervivi tam mihi in retinis defatigatis.
Non ero unquam immemor quod media in via
erat lapis
erat lapis media in via
media in via erat lapis.

tradução de Silva Bélkior; versão original em português
foto António Henriques; retirada de 1000imagens.com

Primeira contribuição e sugestão.

Esta é a minha primeira contribuição para este blog e quero desde já louvar o Prof. Luís Pereira pela excelente iniciativa de utilizar as potencialidades de novel meio de comunicação no sentido de ajudar a dismitificar as cadeiras de Latim.
É claro que eu não sou o melhor exemplo a seguir no que diz respeito à minha relação com a língua latina...
No meu 10º ano (há muitos anos atrás!), comecei a aprender - ou a tentar - este língua. No entanto, e talvez por preguiça, optei por escolher aprender Castelhano e deixei o Latim. Mal sabia eu que o Latim se iria cruzar de novo comigo no meu percurso académico!
Resumindo, esta é a minha sexta matrícula - e última! - e tenho três cadeiras de Latim para completar. O que poderia ter sido feito com calma, vai agora ter de ser feito com muito mais trabalho!
Tenho plena consciência que isto apenas resultou da minha preguiça e por isso agora assumo plenamente as consequências.
Latim não é aquela língua morta impossível de aprender que muitas vezes ouvimos dizer. O Latim é uma língua que exigem trabalho e dedicação. Mas também é algo que nos pode dar muitos frutos no futuro, nem que seja por fazermos parte de uma elite: a elite dos conhecedores da nossa "Língua-Mãe".
Para finalizar deixo a minha sugestão de dois excelentes sites com textos latios de autores que vão de Cícero a Séneca, passado por Ovídeo, Horácio e Plauto, entre muitos outros:

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Ausente

Estarei sem acesso à internet até segunda-feira :(

até lá :)

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Maria Helena da Rocha Pereira

Na revista Única do jornal Expresso do passado sábado, pode ler-se uma espécie de entrevista com a autora de Estudos de História da Cultura Clássica, e outros, bem como de inúmeras traduções de obras clássicas.

"Desde cedo tive especial interesse em saber latim, que no meu tempo começava no 4º ano do liceu. Mas também gostava muito de matemática. Não percebo esta aversão que vai no país pelo que é uma indispensável preparação do saber."

"Verifico que muitos dos defeitos que ganhou o Império Romano nos seus últimos anos, estão a repetir-se agora."

Messenger

O meu endereço do messenger é latim_online@hotmail.com
Este endereço servirá para conversação, mas não devem enviar e-mails para aqui.

Sempre que quiserem enviar-me um e-mail, devem fazê-lo para este endereço: lmpereira@ualg.pt.

Boas-Vindas

O locus latinus poderá servir, entre outros, para fixar os aspectos mais interessantes ligados à Cultura Clássica, em especial, ao Latim.

Será também um espaço de discussão acerca de matérias relacionadas com as aulas...